Execução e Liderança: O Que Realmente Funciona na Gestão Empresarial

Execução e Liderança: O Que Realmente Funciona na Gestão Empresarial

Por Ronaldo Guerra – Empresário, gestor e alguém que aprendeu na prática o que funciona (e o que não funciona) no mundo dos negócios.

Estratégia Bonita Não Paga Conta

Já vi muitas empresas gastarem uma fortuna em consultorias estratégicas, longas reuniões de planejamento e apresentações cheias de gráficos coloridos. Tudo muito bonito no papel, mas a pergunta que realmente importa é: isso vira resultado?

A verdade é que muitas empresas falham porque focam demais em criar estratégias complexas e esquecem do essencial: a execução. De nada adianta um plano perfeito se ele não sai da sala de reuniões. E aqui entra um dos maiores desafios da liderança real – transformar ideias em ações e garantir que as coisas realmente aconteçam.

Baseando-me na minha experiência e nos princípios que Ram Charan apresenta no livro Execução: A Disciplina para Atingir Resultados, vou compartilhar o que realmente funciona na gestão empresarial sem enganação.

O Erro Fatal: Liderar de Longe

O maior erro de muitos gestores é achar que liderança é delegar e esperar os resultados. Não é. Executar significa estar presente, acompanhar, cobrar e corrigir a rota quando necessário.

Eu já vi excelentes ideias morrerem simplesmente porque os líderes não estavam envolvidos o suficiente para garantir que a equipe executasse direito. Gestão não é apenas criar metas e esperar que as coisas aconteçam sozinhas – é garantir que as pessoas certas estejam fazendo o que precisa ser feito, no prazo certo e do jeito certo.

Os 3 Pilares da Execução (Sem Enrolação)

Ram Charan fala sobre três processos essenciais para garantir que a execução aconteça:

1. Pessoas Certas no Lugar Certo

Se você coloca alguém sem perfil para a função, já começou errado. Não adianta querer que um cara técnico, sem perfil de liderança, vire um grande gestor. Ou que um vendedor sem energia bata meta todo mês.

💡 O que fazer:

  • Avalie constantemente sua equipe e faça substituições quando necessário.
  • Invista no desenvolvimento dos talentos certos.
  • Seja realista: algumas pessoas simplesmente não servem para certas funções.

📌 Exemplo real: Já vi empresas tentando salvar funcionários problemáticos com treinamentos intermináveis. O resultado? Dinheiro jogado fora. Às vezes, a melhor solução é uma demissão bem feita e a contratação de alguém melhor.

2. Estratégia Realista e Aplicável

Esqueça os planos mirabolantes que não cabem na realidade da empresa. A estratégia precisa ser clara, objetiva e aplicável. Se os seus funcionários não conseguem entender o plano ou enxergar como ele se traduz no dia a dia, tem algo errado.

💡 O que fazer:

  • Defina poucos objetivos, mas que sejam realmente importantes.
  • Comunique a estratégia de forma simples e direta.
  • Certifique-se de que a equipe sabe exatamente o que precisa fazer e como será cobrada por isso.

📌 Exemplo real: Uma empresa que acompanhei tinha um planejamento estratégico tão complexo que ninguém conseguia explicar o que realmente deveria ser feito. No fim, os funcionários focavam no que já estavam acostumados e ignoravam a estratégia. Simplesmente não funcionava.

3. Disciplina na Execução (Acompanhamento Constante)

De nada adianta criar metas e delegar tarefas se ninguém acompanha o progresso. Muitas empresas falham porque só percebem que algo deu errado quando já é tarde demais.

💡 O que fazer:

  • Defina métricas claras e acompanhe os resultados frequentemente.
  • Faça reuniões curtas e objetivas para revisar o progresso.
  • Corrija o rumo rapidamente se perceber que algo não está funcionando.

📌 Exemplo real: Eu já vi empresas que criam metas anuais e só vão olhar os resultados no fim do ano. Isso é suicídio empresarial. Gestão eficaz exige acompanhamento constante – semanal ou, em alguns casos, diário.

Liderança de Verdade.

Em seu livro O DIÁRIO DE UM CEO o autor Steven Bartlett cita que ao criar uma empresa, a decisão mais importante a tomar é na hora de escolher as dez primeiras pessoas. Cada uma representa 10% da cultura da sua empresa, seus valores e sua filosofia. Por isso, acertar nessas dez primeiras decisões e criar um vínculo entre elas e a cultura certa vai definir sua organização de forma irreversível. Quando existe uma cultura forte, as pessoas que chegam ali a incorporam. Quando a cultura é fraca, é a cultura que se incorpora às pessoas que chegam.

Sua 11ª pessoa, curiosamente, vai se parecer com as outras dez, nos valores e na filosofia.

“Concluí que, quando você junta um número suficiente de pessoas nível A, quando termina o incrível processo de encontrar essas cinco pessoas nível A, elas gostam de verdade de trabalhar umas com as outras, porque não tiveram a chance de fazer isso antes e não querem trabalhar com pessoas nível B. E isso acaba se retroalimentando, porque elas querem contratar mais gente nível A.

Assim, você vai criando bolsões de pessoas nível A, que se propagam. E é assim que a equipe do Mac era. Todos eram nível A.” — Steve Jobs

O Pipeline que Funciona

No livro Pipeline de Liderança, Ram Charan explica que liderança não é algo que acontece do dia para a noite. É um processo. E cada nível exige novas habilidades e uma mudança de mentalidade.

Se você quer formar bons líderes dentro da sua empresa, precisa entender que um gestor não é apenas alguém que foi promovido – ele precisa ser treinado para assumir novas responsabilidades.

🔹 Colaborador → Gestor: O desafio aqui é sair da mentalidade de “fazer” e aprender a delegar. Muitos novos gestores falham porque ainda querem fazer tudo sozinhos.

🔹 Gestor → Gestor de gestores: Agora, o foco é desenvolver outras lideranças. Aqui, o erro comum é não confiar na equipe e acabar centralizando tudo.

🔹 Gestor → Gestor funcional → CEO: Quanto mais alto o nível de liderança, mais a pessoa precisa pensar no negócio como um todo e menos na operação do dia a dia. Aqui, o erro é ficar preso demais nos detalhes e não tomar decisões estratégicas.

📌 O que realmente importa: Se a sua empresa não tem um processo claro de desenvolvimento de liderança, vai sempre depender de contratações externas – e isso é um risco enorme. Formar líderes internos é uma das melhores decisões que uma empresa pode tomar.

O Que Separa Empresas Bem-Sucedidas das Que Quebram

Empresas que prosperam não são necessariamente as que têm as melhores ideias. São as que executam melhor.

🔹 Liderança realista: Um líder que acompanha, cobra e ajusta a rota. 🔹 Foco nas pessoas certas: Sem um bom time, nenhuma estratégia funciona. 🔹 Estratégias simples e aplicáveis: Se não for claro, não vai acontecer. 🔹 Execução disciplinada: O sucesso vem da repetição consistente do que funciona.

Se você quer resultados reais na sua empresa, pare de complicar. Foque no essencial e execute bem. Isso é o que separa os negócios que crescem daqueles que ficam apenas na promessa.